![]() |
![]() |
|
|
O
bom samba de Donga
Quem
não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé.
Muita gente já ouviu isso por aí e não foi uma vez só. Mas falar de samba é
muito bom, porque, sem qualquer dúvida, o samba é a cara do Brasil. E quando
chega fevereiro: tem Carnaval, festa popular que toma conta dos quatro cantos
do Brasil. E que atravessa fronteiras.
Nos bons tempos o Brasil chegou a ser conhecido como País do futebol e do
Carnaval. O futebol não é o mesmo, mas o Carnaval ganha a cada ano mais
espaço. Agora, falar dos compositores não é muito fácil. São tantos que fica
difícil enumerar. Para começar a conversa nesse assunto envolvente, vamos falar
de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, que para quem não sabe é o nome de batismo
do sambista Donga. Compositor e violonista,
natural do Rio de Janeiro (RJ), que nasceu no dia 5 de abril de 1889 e morreu
no dia 25 de setembro de 1974, com 85 anos.
Seu pai era pedreiro e bombardinista. Sua mãe eraa famosa Tia Amélia
(Amélia Silvana de Araújo), mãe-de-santo, cantadeira de
modinhas, festeira, uma das baianas do bairro da Cidade Nova (com Tia Ciata,
Tia Presciliana de Santo Amaro, Tia Gracinda, Tia Verdiana), fundadoras de ranchos
onde cultivavam sessões de candomblé e sambas.
O nome artístico é um apelido familiar que ganhou na infância. Ele freqüentou desde criança as rodas de ex-escravos e negros baianos, aprendeu a coreografia do jongo, afoxé, inclusive as danças derivadas do candomblé e macumba. Formou com João da Baiana uma conhecida dupla de capadócios.
Aos 14 anos aprendeu tocar cavaquinho.Depois, aprendeu violão, com Quincas Laranjeira, e posteriormente violão-banjo.
Donga tinha o
cognome de “Zé Vicente” no Grupo de Caxangá, que participou desde
1914. Algum tempo depois foi violonista no famoso conjunto Oito Batutas, que
foi organizado por Pixinguinha. Juntamente com o conjunto, além do Brasil,
excursionou pela França e Argentina.
Já em 1926, passou a integrar o grupo Carlito Jazz. Em 1928, com Pixinguinha,
formou a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que fez diversas gravações
na época. Ainda ao lado de Pixinguinha, atuou no Guarda Velha, formado
em 1932 e Diabos do Céu, conjuntos de estúdio para gravações
na Victor.
As primeiras composições, Olhar de Santa e Teus Olhos Dizem Tudo, ganharam letra do jornalista David Nasser.
Donga, em 1932, casou-se com a cantora Zaíra Cavalcanti. Ficou viúvo dois anos depois. Casou-se novamente. Ele chegou a casar-se quatro vezes.
Em 1940, participou com composições da famosa gravação a bordo do navio Uruguai, feita por Leopold Stokowski.
Apesar de ter oficializado o gênero “samba” com Pelo telefone, Donga compôs ainda valsas, toadas, marchinhas, emboladas, etc.
Donga foi Oficial de Justiça aposentado. Paupérrimo, doente e quase cego, viveu seus últimos dias na Casa dos Artistas. Está sepultado no Cemitério de São João Batista.
Dentre os principais
sucessos, Bambo, bambu (Donga e Patrício Teixeira),
Canção dos Infelizes (Donga, Luiz Peixoto
e Marques Porto (1930), Estou Voltando (Donga, Pixinguinha
e João Pernambuco (1932), Nosso Ranchinho (Donga
e J. Cascata (1926), O Malhador (Donga, Pixinguinha
e Mauro de Almeida), Passarinho Bateu Asa (Donga,
1928), Patrão, Prenda Seu Gado (Donga, Pixinguinha
e João da Baiana (1931), Pelo Telefone (Donga
e Mauro de Almeida (1916), Quando Uma Estrela Sorri
(Donga, Villa Lobos e David Nasser (1940), Quando
Você Morrer (Donga e Aldo Taranto (1933), Seu
Mané (Luiz, Donga (1928).
O primeiro samba gravado?
Donga fez o registro da partitura de Pelo
Telefone na Biblioteca Nacional em novembro de 1916. No documento
não consta a inclusão de nenhum parceiro. Há uma história de pessoas que freqüentavam
a casa da baiana Tia Ciata que conheciam há muito tempo o refrão do samba
Pelo Telefone.
O jornalista e carnavalesco Mauro de Almeida teve seu nome incluído como
co-autor do samba e aparece no selo do disco pioneiro, ou seja, gravação de
número 121313, que foi feita para a Casa
Edison do Rio de Janeiro, de forma orquestral pela Banda Odeon.
Pelo
Telefone, na voz do cantor Bahiano,
que foi um dos pioneiros da fonografia no País, tendo gravado inclusive gravado
vários gêneros, foi o segundo registro, no selo de número121322. Mas o compositor
Donga garantia que Bahiano foi o primeiro
a gravar o samba e que a Banda foi depois. Para o autor Jorge dos Santos Caldeira
Neto, "Donga projetou um gênero musical
para a sociedade, que acabou por adotar esse gênero como se fosse só seu".
Outros sambas
– Numa série de 1912 a 1915, da Odeon, aparece A
Viola Está Magoada, de Catulo da Paixão Cearense, que foi
interpretada por Bahiano e Júlia Martins. Moleque
Vagabundo, de Lourival Carvalho, também é identificado como
samba. Tem também Chora, Chora,
Choradô, na voz de Bahiano, Janga,
com o Grupo Paulista, e Samba Roxo,
com Eduardo das Neves. Já a Columbia, de 1908 a 1912, lançou como samba Michaella,
na voz de Bartlet, Quando a Mulher Não Quer,
na voz de Arthur de Castro, e ainda No Samba,
com Pepa Delgado e Mário Pinheiro. O selo Phoenix tem um registro de 1914 a
1918, Flor do
Abacate, Samba do Urubu,
na voz do Grupo do Louro, Samba do Pessoal Descarado,
com o Grupo dos Descarados, Vadeia Caboclinha,
esta com o Grupo Tomás de Souza. E ainda Samba dos Avacalhados, na voz
do Grupo do Pacheco, coro e batuque. A Favorite Record tinha em seu catálogo a
gravação Samba – Em Casa de Baiana,
mas não tem indicação de quem interpreta nem mesmo do autor. O período: de
1910 a 1913.
![]()