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Adoniran
Barbosa
Um
poeta do samba paulista
Alarico Rezende
Editor do Brasil
Raiz
João
Rubinato, o sétimo filho de Fernando e Ema Rubinato, nasceu no dia 6 de julho
de 1910, em Valinhos (SP).
Filho de imigrantes italianos de Veneza, que se radicaram em Valinhos, aos 22
anos veio para São Paulo, onde passou a morar numa pensão.
Mas antes disso morou em Jundiaí. Em 1924, foi para Santo André. Ele trabalhou
em várias profissões, dentre elas: como tecelão, pintor, encanador,
serralheiro, mascate e garçom.
João estudou no Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu a profissão de
ajustador mecânico. Mas foi a partir dos 22 anos, em São Paulo, que ele começou
a fazer música. Foi calouro no programa de Jorge Amaral, na Rádio Cruzeiro do
Sul. Foi gongado várias vezes, mas um dia conseguiu passar com o samba Filosofia,
de Noel Rosa.
Em 1933, foi contratado para cantar em um programa semanal de 15 minutos, sendo
acompanhado por um regional. Foi aí que adotou o nome artístico Adoniran
Barbosa, que é a junção do nome de um amigo de boemia, Adoniran, com Barbosa,
do sambista Luiz Barbosa, de quem João era fã.
Na década de 40, foi contratado pela Rádio Record, onde fez humorismo e rádioteatro.
Ficou lá até 1972. Dentre os tipos que criou, Pernafina e Jean
Rubinet. Em 1945, estreou no cinema, com o filme "Pif-Paf".
Adoniran Barbosa, em 1949, casou-se pela
segunda vez com Matilde Lutiis, com quem viveu mais de 30 anos. Ela foi
inclusive parceira nas músicas Pra Que Chorar? e A Garoa
Vem Descendo.
Os Demônios da Garoa gravaram como intérpretes grandes composições de
Adoniran Barbosa.
Dentre elas, Saudosa Maloca, Trem das Onze, Malvina,
Joga a Chave, Samba do Arnesto.
Malvina e Joga a Chave foram campeãs em concursos
carnavalescos em São Paulo.
O grande personagem de Adoniran no rádio
foi Charutinho, que ele apresentava no programa "História das
Malocas", de Oswaldo Molles. Ele foi ainda ator nas primeiras novelas
da TV Tupi. O reconhecimento artístico veio mesmo em 1973, quando gravou o
primeiro disco. Depois disso passou a ser respeitado como grande compositor.
Adoniran Barbosa morreu no dia 23 de
novembro de 1982, em São Paulo. O poeta deixou aproximadamente 80
letras inéditas.
Não dá para falar da história do samba paulista sem citar as grandes obras de
Adoniran. Um
poeta que tinha um grande amor por esta cidade. Suas músicas são o retrato de São
Paulo; da Avenida São João, do Brás, do Bexiga, da Mooca, da
Casa Verde e do Jaçanã.
No Jaçanã, Adoniran
dá nome a uma agência da Caixa Econômica Federal, na Avenida Guapira.
Há também fotos do compositor no Museu Memórias do Jaçanã, bairro
que virou tema de um grande clássico do samba, de sua autoria: Trem
das Onze.
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