Samba Brasil
Anuncie aqui o seu produto!

     
Ilustrações (violão e cavaquinho): Guilherme Cotegipe                                     São Paulo, 03 de julho de 2006 

Adoniran Barbosa
Um poeta do samba paulista

Alarico Rezende

Editor do Brasil Raiz

João Rubinato, o sétimo filho de Fernando e Ema Rubinato, nasceu no dia 6 de julho de 1910, em Valinhos (SP).

Filho de imigrantes italianos de Veneza, que se radicaram em Valinhos, aos 22 anos veio para São Paulo, onde passou a morar numa pensão.

Mas antes disso morou em Jundiaí. Em 1924, foi para Santo André. Ele trabalhou em várias profissões, dentre elas: como tecelão, pintor, encanador, serralheiro, mascate e garçom.


João estudou no Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu a profissão de ajustador mecânico. Mas foi a partir dos 22 anos, em São Paulo, que ele começou a fazer música. Foi calouro no programa de Jorge Amaral, na Rádio Cruzeiro do Sul. Foi gongado várias vezes, mas um dia conseguiu passar com o samba Filosofia, de Noel Rosa.

Em 1933, foi contratado para cantar em um programa semanal de 15 minutos, sendo acompanhado por um regional. Foi aí que adotou o nome artístico Adoniran Barbosa, que é a junção do nome de um amigo de boemia, Adoniran, com Barbosa, do sambista Luiz Barbosa, de quem João era fã.

Na década de 40, foi contratado pela Rádio Record, onde fez humorismo e rádioteatro. Ficou lá até 1972. Dentre os tipos que criou, Pernafina e Jean Rubinet. Em 1945, estreou no cinema, com o filme "Pif-Paf". Adoniran Barbosa, em 1949, casou-se pela segunda vez com Matilde Lutiis, com quem viveu mais de 30 anos. Ela foi inclusive parceira nas músicas Pra Que Chorar? e A Garoa Vem Descendo.

Os Demônios da Garoa gravaram como intérpretes grandes composições de Adoniran Barbosa.
Dentre elas, Saudosa Maloca, Trem das Onze, Malvina, Joga a Chave, Samba do Arnesto.
Malvina
e Joga a Chave foram campeãs em concursos carnavalescos em São Paulo.

O grande personagem de Adoniran no rádio foi Charutinho, que ele apresentava no programa "História das Malocas", de Oswaldo Molles. Ele foi ainda ator nas primeiras novelas da TV Tupi. O reconhecimento artístico veio mesmo em 1973, quando gravou o primeiro disco. Depois disso passou a ser respeitado como grande compositor.

Adoniran Barbosa
morreu no dia 23 de novembro de 1982, em São Paulo. O poeta deixou aproximadamente 80 letras inéditas.
Não dá para falar da história do samba paulista sem citar as grandes obras de
Adoniran. Um poeta que tinha um grande amor por esta cidade. Suas músicas são o retrato de São Paulo; da Avenida São João, do Brás, do Bexiga, da Mooca, da Casa Verde e do Jaçanã.

No Jaçanã
,
Adoniran dá nome a uma agência da Caixa Econômica Federal, na Avenida Guapira. Há também fotos do compositor no Museu Memórias do Jaçanã, bairro que virou tema de um grande clássico do samba, de sua autoria: Trem das Onze.