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O bom samba de
Donga
Quem
não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé.
Muita gente já ouviu isso por aí e não foi uma vez só. Mas falar de samba é
muito bom, porque, sem qualquer dúvida, o samba é a cara do Brasil. E quando
chega fevereiro: tem Carnaval, festa popular que toma conta dos quatro cantos do
Brasil. E que atravessa fronteiras.
Nos bons tempos o Brasil chegou a ser conhecido como País do futebol e do
Carnaval. O futebol não é o mesmo, mas o Carnaval ganha a cada ano mais
espaço. Agora, falar dos compositores não é muito fácil. São tantos que
fica difícil enumerar. Para começar a conversa nesse assunto envolvente, vamos
falar de Ernesto dos Santos, que para quem não sabe é o nome de batismo do
sambista Donga.
O primeiro samba gravado? Donga fez o
registro da partitura de Pelo Telefone
na Biblioteca Nacional em novembro de 1916. No documento não consta a inclusão
de nenhum parceiro. Há uma história de pessoas que freqüentavam a casa da
baiana Tia Ciata que conheciam há muito tempo o refrão do samba Pelo
Telefone.
O jornalista e carnavalesco Mauro de Almeida teve seu nome incluído
como co-autor do samba e aparece no selo do disco pioneiro, ou seja, gravação
de número 121313, que foi feita para a Casa Edison do Rio de Janeiro, de
forma orquestral pela Banda Odeon.
Pelo
Telefone, na voz do cantor Bahiano,
que foi um dos pioneiros da fonografia no País, tendo gravado inclusive gravado
vários gêneros, foi o segundo registro, no selo de número121322. Mas o
compositor Donga garantia que Bahiano
foi o primeiro a gravar o samba e que a Banda foi depois. Para o autor Jorge dos
Santos Caldeira Neto, "Donga projetou
um gênero musical para a sociedade, que acabou por adotar esse gênero como se
fosse só seu".
Outros sambas
– Numa série de 1912 a 1915, da Odeon, aparece A
Viola Está Magoada, de Catulo da Paixão Cearense, que foi
interpretada por Bahiano e Júlia Martins. Moleque
Vagabundo, de Lourival Carvalho, também é identificado como
samba. Tem também Chora, Chora,
Choradô, na voz de Bahiano, Janga,
com o Grupo Paulista, e Samba Roxo,
com Eduardo das Neves. Já a Columbia, de 1908 a 1912, lançou como samba Michaella,
na voz de Bartlet, Quando a Mulher Não Quer,
na voz de Arthur de Castro, e ainda No Samba,
com Pepa Delgado e Mário Pinheiro. O selo Phoenix tem um registro de 1914 a
1918, Flor do
Abacate, Samba do Urubu,
na voz do Grupo do Louro, Samba do Pessoal Descarado,
com o Grupo dos Descarados, Vadeia Caboclinha,
esta com o Grupo Tomás de Souza. E ainda Samba dos Avacalhados, na voz
do Grupo do Pacheco, coro e batuque. A Favorite Record tinha em seu catálogo a
gravação Samba – Em Casa de Baiana,
mas não tem indicação de quem interpreta nem mesmo do autor. O período: de
1910 a 1913.
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