Samba Brasil
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Ilustrações (violão e cavaquinho): Guilherme Cotegipe              São Paulo, 12 de dezembro de 2005 

O bom samba de Donga

Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé
. Muita gente já ouviu isso por aí e não foi uma vez só. Mas falar de samba é muito bom, porque, sem qualquer dúvida, o samba é a cara do Brasil. E quando chega fevereiro: tem Carnaval, festa popular que toma conta dos quatro cantos do Brasil. E que atravessa fronteiras.

Nos bons tempos o Brasil chegou a ser conhecido como País do futebol e do Carnaval. O futebol não é o mesmo, mas o Carnaval ganha a cada ano mais espaço. Agora, falar dos compositores não é muito fácil. São tantos que fica difícil enumerar. Para começar a conversa nesse assunto envolvente, vamos falar de Ernesto dos Santos, que para quem não sabe é o nome de batismo do sambista Donga.

O primeiro samba gravado?
Donga fez o registro da partitura de Pelo Telefone na Biblioteca Nacional em novembro de 1916. No documento não consta a inclusão de nenhum parceiro. Há uma história de pessoas que freqüentavam a casa da baiana Tia Ciata que conheciam há muito tempo o refrão do samba Pelo Telefone

O jornalista e carnavalesco Mauro de Almeida teve seu nome incluído como co-autor do samba e aparece no selo do disco pioneiro, ou seja, gravação de número 121313, que foi feita para a Casa Edison do Rio de Janeiro, de forma orquestral pela Banda Odeon.

Pelo Telefone, na voz do cantor Bahiano, que foi um dos pioneiros da fonografia no País, tendo gravado inclusive gravado vários gêneros, foi o segundo registro, no selo de número121322. Mas o compositor Donga garantia que Bahiano foi o primeiro a gravar o samba e que a Banda foi depois. Para o autor Jorge dos Santos Caldeira Neto, "Donga projetou um gênero musical para a sociedade, que acabou por adotar esse gênero como se fosse só seu".

Outros sambas – Numa série de 1912 a 1915, da Odeon, aparece A Viola Está Magoada, de Catulo da Paixão Cearense, que foi interpretada por Bahiano e Júlia Martins. Moleque Vagabundo, de Lourival Carvalho, também é identificado como samba. Tem também Chora, Chora, Choradô, na voz de Bahiano, Janga, com o Grupo Paulista, e Samba Roxo, com Eduardo das Neves. Já a Columbia, de 1908 a 1912, lançou como samba Michaella, na voz de Bartlet, Quando a Mulher Não Quer, na voz de Arthur de Castro, e ainda No Samba, com Pepa Delgado e Mário Pinheiro. O selo Phoenix tem um registro de 1914 a 1918, Flor do Abacate, Samba do Urubu, na voz do Grupo do Louro, Samba do Pessoal Descarado, com o Grupo dos Descarados, Vadeia Caboclinha, esta com o Grupo Tomás de Souza. E ainda Samba dos Avacalhados, na voz do Grupo do Pacheco, coro e batuque. A Favorite Record tinha em seu catálogo a gravação Samba – Em Casa de Baiana, mas não tem indicação de quem interpreta nem mesmo do autor. O período: de 1910 a 1913.