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Sala do Compositor                                                        
São Paulo, 10 de dezembro de 2009                           

José Fortuna


O compositor José Fortuna nasceu na cidade de Itápolis,
Estado de São Paulo, no dia 2 de outubro de 1923.
Compôs
sua primeira música no dia 26 de setembro de 1942, mas
desde cedo, ainda criança, em suas andanças com o pai pela
lavoura, já escrevia versos com pedaços de madeira, no chão
de terra por onde caminhava.


Sua primeira música gravada foi a Moda das Flores, no dia 4 de abril de 1944, por Torres e Florêncio, e desde então nunca mais parou. Nos próximos quarenta anos ele comporia e gravaria perto de 2 mil músicas, algumas com mais de vinte regravações.


A guarânia Índia

Um de seus maiores sucessos foi a versão da guarânia Índia, composta há quarenta anos, do outro lado de Meu Primeiro Amor, também versão de José Fortuna, gravados originalmente por Cascatinha e Inhana, no ano de 1952, que chegaram a vender na ocasião mais de 1 milhão de cópias.

Estas duas composições foram regravadas por dezenas de duplas sertanejas, como também por intérpretes da música popular brasileira, como por exemplo: Agnaldo Timóteo, Ângela Maria, Nara Leão, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa, que regravou Índia, nome dado a um de seus shows no Canecão-Rio de Janeiro. Recentemente Meu Primeiro Amor foi regravada pelos intérpretes Joana e Fagner.

Uma curiosidadeÍndia foi a responsável pela introdução da guarânia como estilo musical no Brasil, posto que até então tal gênero musical era desconhecido por aqui, não possuindo mercado propício para a sua expansão, e assim sendo, após o enorme sucesso gravado por Cascatinha e Inhana, intensificou-se o intercâmbio cultural entre Brasil e o Paraguai. Estas duas guarânias, bem como outras de autoria de José Fortuna, tais como: Anahy, Solidão, Minha Terra Distante , etc... geraram inúmeras regravações, inclusive no exterior.

Entretanto, José Fortuna não foi na sua essência um compositor de guarânias somente, mas sim de uma grande versatilidade de estilos musicais. Outros de seus grandes sucessos foram as músicas: Lembrança, Paineira Velha, Berrante de Ouro, Cheiro de Relva, Terra Tombada, O Selo de Sangue, Rosto Molhado, Vinte e Quatro Horas de Amor, Esteio de Aroeira, A Mão do Tempo, O Ipê e o Prisioneiro, O Vai e Vem do Carreiro, etc...todas com várias regravações.

Durante todo este tempo, e paralelamente às suas atividades como compositor, José Fortuna manteve um trio, do qual pertencia também seu irmão Euclides Fortuna, o Pitangueira, formando com Zé do Fole o Trio OS MARACANÃS.


Eles gravaram mais de 40 LPs e dezenas de discos ainda em 78 rotações, como também fitas e compactos com músicas de José Fortuna. Apresentaram-se em todas as emissoras da capital paulista e do interior. Curiosamente foi o trio que inaugurou o canal 5, no ano de 1950.



Peças teatrais
Além de compositor, José Fortuna foi também autor e escritor de 42 peças de teatro, percorrendo por conseguinte todo o Brasil, e algumas cidades da América do Sul, com sua Companhia Teatral Maracanã. Além de escritor, atuava também como ator de destaque em todas as suas criações teatrais, e sua Companhia acabou por receber inúmeros troféus, tornando-se assim conhecidos como "OS REIS DO TEATRO". Paralelamente a todas essas atividades, publicou também 30 livretos com as letras de suas músicas e dezenas de histórias completas, todas em verso - Literatura de Cordel.

Após o encerramento de suas atividades com sua Companhia Teatral, por volta de 1975, passa então a se dedicar com maior afinco à composição. É a época dos grandes Festivais da Rádio Record, em que ele começa a trabalhar em parceria com Carlos Cezar. Participa então seguidamente de mais de 20 Festivais, obtendo sempre as primeiras colocações, principalmente na capital, onde nos anos de 1979, 1980, 1981 venceu-os consecutivamente. Em um deles, no ano de 1979, obtém os três primeiros lugares com as músicas: Riozinho (1º lugar), Berrante de Ouro (2º lugar) e Brasil Viola (3º lugar).

Berrante de Ouro, por exemplo, já tem mais de 30 regravações. Isto tudo ocorreu em meio a Festivais onde concorriam mais de 13.600 concorrentes, durante um período de seis meses, com eliminatórias em todas as capitais e grandes cidades brasileiras.

Em 1981, também no Festival da Record, concorrendo com mais de 10 mil músicas, obteve o primeiro lugar com a música O Vai e Vem do Carreiro, além de ganhar, juntamente com Carlos Cezar, os troféus de melhor letra, melodia, orquestração, interpretação e arranjo. Ainda em 1979, a Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo oficializou "O Hino do Trabalhador Brasileiro", de José Fortuna e Carlos Cezar.

No âmbito da música sertaneja pode-se afirmar que não há um intérprete que não tenha gravado obras de José Fortuna. Nomes como: Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, João Paulo e Daniel, Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco – estes inclusive gravaram um LP com doze faixas só com obras de José Fortuna –, Sérgio Reis, Roberta Miranda, enfim, todos os intérpretes do gênero têm com certeza em seu repertório, passado ou recente, obras musicais de José Fortuna.

Cartão de Juscelino Um fato curioso acontecido em sua vida, foi quando da inauguração da cidade de Brasília, ocasião em que José Fortuna teve o prazer de receber das mãos do então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira um cartão de congratulações e mérito por sua composição Sob o Céu de Brasília, que foi considerada na ocasião o Hino Inaugural de Brasília.

Paixão pelo rádioO Rádio também foi uma de suas grandes paixões. Foi radialista durante toda a sua vida artística, e apresentou o Programa José Fortuna em quase todas as rádios da capital: Tupi, Piratininga, Gazeta, Jornal, Record, Nove de Julho, São Paulo, Cometa, Nacional, Difusora, Globo, Morada do Sol, etc...

Ao longo de sua vida, teve o prazer de receber inúmeros troféus, títulos e congratulações, destacando-se dentre estes: o título de Cidadão Osasquense, o Cartão de Prata e a Medalha Anchieta por iniciativa da Câmara Municipal de São Paulo, o Título de Cidadão Paulistano, também por iniciativa da Câmara Municipal, a Sala José Fortuna no Museu de sua cidade natal Itápolis, bem como a Avenida José Fortuna, naquela mesma cidade, inaugurada por ele a apenas 20 dias antes do seu falecimento.

Outras cidades que o homenagearam, dando o seu nome à algumas praças e ruas são: São Bernardo do Campo, Guarulhos, São Paulo(em São Miguel Paulista), Osasco, Blumenau(em Santa Catarina), São Carlos, Mogi das Cruzes,etc...

José Fortuna faleceu no dia 10 de novembro de 1983, em sua casa, na cidade de São Paulo, do mal de Chagas que o acompanhou durante toda a sua vida, deixando sua esposa Durvalina e suas duas filhas Iara e Marlene.

Ele deixou inéditas perto de 900 obras musicais, que foram sendo musicadas e gravadas por seus diversos parceiros, entre estes destacando-se com maior afinco Paraíso, co-autor juntamente com José Fortuna de inúmeras obras tais como: O Ipê e o Prisioneiro, Avenida Boiadeira, Atalho, Raízes do Amor, sendo também o responsável pela administração de todo o repertório atual de José Fortuna.

José Fortuna foi enterrado no Cemitério do Morumbi, na capital, e em sua campa há uma estrofe de um poema seu musicado, e que se intitula "O SILÊNCIO DO BERRANTEIRO":

"AQUI ESTOU MEUS VELHOS COMPANHEIROS

OLHEM PRA CIMA, PRA ME VER PASSANDO

EM MEU CAVALO, RAIO DE LUAR

PELO ESTRADÃO DE ESTRELAS GALOPANDO

O MEU BERRANTE HOJE SÃO TROMBETAS

QUE OS ANJOS TOCAM CHAMANDO A BOIADA

DE NUVENS BRANCAS NO SERTÃO DO ESPAÇO

VINDO AO CURRAL AZUL DA MADRUGADA".