Noel Rosa
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Sala do Compositor                                                
São Paulo, 25 de dezembro de 2009                           

O bom samba de Noel Rosa

Ele também fez música sertaneja

Nome de batismo: Noel de Medeiros Rosa. Foi cantor, compositor, 
bandolinista e violonista. Ele nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, 
no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no dia 4 de maio de 1937, no Rio de Janeiro 
(RJ), vítima de tuberculose.

Filho de Manuel Garcia de Medeiros Rosa, que era comerciante, e da professora 
Martha de Medeiros Rosa. O único irmão de Noel, Hélio de Medeiros Rosa, era 4 
anos mais novo.

De uma família de classe média baixa, Noel Rosa herdou de seu nascimento as marcas
de um parto forçado, o que lhe causara fratura e afundamento do maxilar inferior. 
E também ligeira paralisia facial no lado direito do rosto. Teve de ser operado com apenas
6 anos de idade, tendo aos 12 anos colocado uma prótese.

Ele estudou de 1913 a 1928 no tradicional Colégio São Bento, época em que recebeu dos 
amigos o apelido de "queixinho". Sua musicalidade começaria aos 13 anos

Com 13 anos aprendeu a tocar de ouvido bandolim com a mãe. E, a partir daí, percebeu 
que a sua grande habilidade com o instrumento tornava-o importante diante de outras 
pessoas. Do bandolim para o violão, foi um passo. Em 1925, dominava completamente 
o instrumento, participando ativamente de serenatas no seu bairro.

Suas primeiras músicas foram feitas em 1929, dentre elas a embolada Minha Viola e a 
toada Festa no Céu. O primeiro grande sucesso veio um ano depois: Com Que Roupa? 
Na época, era possível se perceber sua veia humorística e também irônica.

Em 1931, Noel fez músicas sertanejas como Mardade de Cabocla e Sinhá Ritinha
Mas escolheu mesmo como ponto alto das composições o samba. E, em apenas oito 
anos como autor, fez 259 músicas, tendo mais de 50 parceiros.

Entrou para o curso de Medicina, mas não largou o violão e a boemia. A música acabou 
falando mais e ele abandonou o curso na Faculdade de Medicina alguns meses depois.


 
"Noel Pela Primeira Vez" 
é um projeto que contou com a parceria do Ministério
da Cultura, da Funarte e da Gravadora Velas. 
A discografia reúne as primeira gravações de 229 
composições de Noel Rosa. 


Embalagem especial com 14 CDs, em 7 caixas
duplas, contendo 229 músicas de Noel, mais faixa
em homenagem a Noel, composta por Jonhy Alf e
Paulo César Pinheiro. Acompanha encarte com
160 páginas, contendo todas as letras.


Entre elas, composições raríssimas, algumas das quais se 
duvidava da existência ou jamais haviam sido gravadas, nem 
mesmo em LP. São 14 CDs que permitem ao público não só 
conhecer a integridade da obra do compositor, mas também 
toda uma época de ouro da música brasileira. São grandes 
intérpretes da época - Marília Baptista, Aracy de Almeida, Orlando Silva, 
João de Barro, Almirante, Lamartine Babo, Sílvio Caldas, Mário Reis, Francisco 
Alves - e, muitas vezes, vozes mais próximas que cantaram as letras do compositor 
da Vila Isabel pela primeira vez: casos de Ná Ozetti, Vânia Bastos, João Nogueira 
e do conjunto Coisas Nossas. 
A coleção traz ainda canções para operetas compostas pelo autor, composições 
raras que podemos ouvir nas interpretações de Marília Pera e Grande Otelo."

(Reprodução de texto do site da Gravadora Velas sobre a coleção)


Noel, mesmo com problemas pulmonares, não abria mão da bebida. Ele até formulou uma
teoria sobre o consumo de cerveja gelada. Segundo o compositor, a temperatura fria da 
cerveja paralisava os micróbios, com isso livrando-o da tosse.

Na época, Noel teve de ir para Belo Horizonte por causa de uma lesão pulmonar que o 
acometera. Lá ele ficaria longe dos bares, botequins que freqüentava e também das 
emissoras de rádio que tanto ia.
No início teve até uma melhora, mas ele não esquecia a boemia e acabou descobrindo 
a vida noturna na capital mineira. Posteriormente, voltou com sua mulher Lindaura para o 
Rio de Janeiro.

Em 1936, Noel não saía, para evitar que as pessoas o questionassem sobre sua saúde. 
Ele só visitava o sambista e compositor Cartola, no morro. Em 1937, buscou uma melhora,
indo com a mulher para Nova Friburgo, atrás de ar puro da montanha. Mas tinha muita 
saudade da sua Vila Isabel.

Feitiço da Vila (Feitiço sem Farofa)
(
Noel Rosa e Oswaldo Gogliano [Vadico])

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo
E faz a lua
Nascer mais cedo!


Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café,
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba!

A Vila tem
Um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem...
Tendo o nome de Princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente...

O sol na Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus,
Não venha agora
Que as morenas
Vão logo embora!

Eu sei por onde passo
Sei tudo o que faço
Paixão não me aniquila...
Mas tenho que dizer:
Modéstia à parte,
Meus senhores,
Eu sou da Vila

Principais obras do poeta Noel Rosa: Adeus (Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco 
Alves); A.E.I.O.U (Noel Rosa e Lamartine Babo);Até amanhã (Noel Rosa); Cem Mil 

Réis
(Noel Rosa e Vadico); Com Que Roupa? (Noel Rosa); Conversa de Botequim  
(Noel Rosa e Vadico); Coração (Noel Rosa); Cor de Cinza (Noel Rosa); Dama do 
Cabaré
(Noel Rosa); De Babado (Noel Rosa e João Mina); É Bom Parar (Noel 
Rosa e Rubens Soares); Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico); Feitio de Oração
(Noel Rosa e Vadico); Filosofia (Noel Rosa e André Filho); Fita Amarela (Noel Rosa);
Gago Apaixonado (Noel Rosa); João Ninguém (Noel Rosa); Minha Viola (Noel Rosa);
Não Tem Tradução (Noel Rosa); O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa e Kid Pepe); 
O x do Problema
(Noel Rosa); Palpite Infeliz (Noel Rosa); Para Me Livrar do Mal
(Noel Rosa e Ismael Silva); Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro); Pela Décima
Vez
(Noel Rosa); Pierrô Apaixonado (Noel Rosa e H. dos Prazeres); Positivismo
(Noel Rosa e Orestes Barbosa); Pra Que Mentir (Noel Rosa e Vadico); Provei  
(Noel Rosa e Vadico); Quando o Samba Acabou (Noel Rosa); Quem dá Mais?
(Noel Rosa); Quem Ri Melhor (Noel Rosa); São Coisas Nossas (Noel Rosa); Tarzan,
o Filho do Alfaiate
(Noel Rosa); Três Apitos (Noel Rosa); Último Desejo (Noel Rosa),
feita em 1937; Você Só...Mente (Noel Rosa e Hélio Rosa).


O compositor Noel Rosa morreu de tuberculose no dia 4 de maio 
de 1937, nos braços de sua mulher Lindaura.