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Sala
do Compositor |
João
Pacífico, um poeta caipira

Um
paulista de Cordeiro, cujo nome foi mudado posteriormente para Cordeirópolis.
Estamos falando de João Pacífico. Musicalmente ele foi batizado pelo poeta
Guilherme de Almeida e enveredou pela música caipira muito cedo.
Quando ainda fazia versinhos no grupo escolar, teve oportunidade de mostrar a
Guilherme de Almeida. "Um dia mostrei um versinho para Guilherme de
Almeida, que conheci quando eu tinha 12 anos. Ele gostou e me convidou para
participar de seu programa lírico numa rádio de Cruzeiro do Sul. Aí não
parei mais", recordou João Pacífico, em 1997, em Guararema, em entrevista
exclusiva a Alarico Rezende.
Sua primeira música gravada foi uma embolada, Seu João Nogueira,
que fez em homenagem a um grande violonista que conheceu. "Quem gravou foi
o Raul Torres. Depois fiz um samba, Por Teu Olhar", contou
João.
"O pessoal da gravadora RCA pediu para descobrir quem era esse João Pacífico que andava por aí fazendo música", contou, com um sorriso meio maroto. A vida de João Pacífico como compositor mudou totalmente. O mais interessante e curioso é que ele não tocava um instrumento sequer, mas tinha um ritmo impressionante. Ele fazia tudo na boca, criando cada detalhe da harmonia, coisa que dificilmente seria feito da mesma forma com o uso de um violão ou outro instrumento.
João
tem uma muito famosa, da grande parceria com o poeta Raul Torres, é Cabocla
Tereza, sem dúvida a mais famosa, que ele fez questão de esclarecer
que a história é fruto de sua imaginação. Esta música foi regravada por
Chitãozinho e Xororó, sem dúvida a mais bem-sucedida. "Uma das músicas
que vi mais dinheiro foi Cabocla Tereza, com Chitãozinho e
Xororó", ressaltou, em 1997.
Cantando com Raul Torres
A primeira gravação de Chico Mulato, de João e Raul Torres, foi do próprio João Pacífico cantando com Raul Torres, em 1936, que a partir daí foi regravada inúmeras vezes. A história da criação de Pingo d’água (João Pacífico e Raul Torres) foi inspirada numa procissão que João viu passar. "Estava numa pensão em frente do recinto de festas de Barretos. Naquele tempo não tinha ainda rodeios, mas tinha exposição de animais. Vi aquela procissão pedindo chuva. Aí nasceu Pingo d’água, que recentemente foi regravada por Pena Branca e Xavantinho", contou João.
Outro clássico de Pacífico, em parceria com Raul Torres, é Mourão da Porteira. Ele fez também Minas Gerais, que lhe deu o maior sufoco. "Fiz essa música para homenagear os mineiros. O pessoal levou ao pé da letra e achou que eu era mineiro. Numa entrevista de rádio eu disse que era paulista. Um mineiro que estava ouvindo me deu um susto. Ele queria me matar, depois pediu desculpas, disse que foi a emoção. Quase que morro na emoção dele", brincou João Pacífico.
Para São Paulo, cheio de sentimento, João fez Treze
Listas, por ocasião do Quarto Centenário de São Paulo." Música
que foi gravada em 1954 por Nelson Gonçalves. "Foi bom porque recebi das
mãos do dr. Guilherme de Almeida uma medalha de ouro", contou o
compositor.
Morre o compositor – Bem
na virada de 1998 para 1999, um dos maiores poetas deste Brasil, autor de
inúmeros clássicos caipiras, não ficou para ver o ano-novo. Teve
complicações de saúde no penúltimo dia de 1998: insuficiência
respiratória, que tirou a vida de João. Por volta de 1 da manhã de 30 de
dezembro de 1998 o compositor faleceu.
Alguns dias antes esteve pelo interior do Estado com Freddy Mogentale e Maria Antonia, que adotaram a simpatia de João Pacífico, tanto que o levaram para morar com eles no Sítio Pirangi, em Guararema. Segundo Freddy, João até cantou umas modas em Barretos. "Mas ele tinha um câncer que ameaçava a sua saúde. Afetou o fígado e não teve jeito", contou Freddy.