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São
Paulo – História
dos Bairros
Jaçanã
Reprodução
de xerox de foto. Armazém de Pedro Marcondes,
na Luís Stamatis, década de 30, na época conhecida como
"Venda dos Caipiras", no Jaçanã
Alarico Rezende
Editor do Brasil Raiz
O Jaçanã,
tão cantado no Trem das Onze, do poeta Adoniran Barbosa,
é
um dos grandes e bonitos redutos da capital paulista.
Este ano (14 de setembro de 2008), o
bairro completou 138 anos de fundação. A velha estação
Jaçanã do trem da cantareira já não existe mais
ali na região da Praça Comendador Alberto de Souza, mas na Rua
São Luiz Gonzaga há mais de duas décadas existe o Museu
Memória do Jaçanã, um sonho antigo do aposentado
Sylvio Bittencourt, que começou na garagem de sua casa.
Pássaro Jaçanã, que dá
nome ao bairro
O barraco de madeira deu lugar uma construção com material antes
utilizado pelas escolas de lata, com entrada pela Rua São Luiz Gonzaga,
tendo uma área de alvenaria pela entrada da Avenida Benjamin Pereira,
com paredes até trincadas por estar muito próximo da avenida,
por causa do grande fluxo de veículos, principalmente ônibus. Para
a construção definitiva do Museu falta apoio da iniciativa privada
e de órgãos públicos, tudo isso por enquanto é apenas
um sonho antigo do seu Sylvio Bittencourt.
25 anos – No dia 30 de
dezembro de 2008 o Museu Memória do Jaçanã
completa 25 anos de existência. Fica na Rua São Luiz Gonzaga, 30,
próximo da Escola Otília de Jesus Pires, nas imediações
da Praça Comendador Alberto de Souza. Telefone para contato: (11) 2241-4286.
Vale observar que o Museu tem muitas fotos antigas, recortes
de jornais, objetos, até discos 78 rotações, vitrolas,
máquinas de escrever, telefones antigos, mapas, até um cavaquinho
feito a canivete pelo chefe da estação do Tucuruvi, projetor de
filme de 16 milímetros, também um pouco da história da
Cinematrográfica Maristela, que produziu filmes como "SUZANA
E O PRESIDENTE" (1951), Presença de Anita"
(1951), "O "COMPRADOR DE FAZENDAS" (1951), CARNAVAL
EM LÁ MAIOR (1954), A PENSÃO DA DONA STELA
(1956). Neste filme, o elenco era composto por Adoniran Barbosa, Jayme Costa,
Maria Vidal, Randal Juliano, Liana Duval, Adoniran Barbosa, Lola Brah, Carlos
Araújo, Jane Batista, Ayres Campos, Márcia Vasconcelos, Ricardo
Bandeira, Zulma Maria, Osmano Cardoso, Walter Ribeiro dos Santos, Jimmy Lester,
Os Modernistas, Carmélia Alves, Eva Bosch e seu conjunto cigano.
A história do
Museu – Sylvio Bittencourt (foto
no Museu), fundador do Museu Memória do Jaçanã,
numa entrevista ao Brasil Raiz,
em 1999, contou que trocou Guarulhos pelo Jaçanã ainda na sua
juventude. "Em 1983, na Rua Antonio
Carlos
Lima, número 77, eu convocava uma assembléia de pessoas abnegadas,
pessoas que acreditavam numa proposta trabalho cultural da preservação
do nosso bairro. Naquele dia eu convidava a dona Matilde de Lourdes Rubinato,
então esposa de Adoniran Barbosa. Aí criava-se o Museu Memórias
do Jaçanã. Teve até uim senão naquela ocasião.
Dona Matilde achava que eu devia fazer um museu do trem do Jaçanã,
mas eu disse a ela que minha finalidade era fazer museu de história,
que a própria maria-fumaça era um símbolo do nosso bairro",
contou emocionado Bittencourt. A atual sede do Museu surgiu de um contato com
a Procuradoria Geral da Fazenda do Estado. "Fiz um abaixo-assinado, com
aproximadamente 1,2 mil assinaturas, reivindicando uma área na São
Luiz Gonzaga, e levei ao procurador-geral do Estado". Na época,
a Procuradoria, segundo contou "seu"
Sylvio (ele é chamado por todos dessa maneira), "estava
tirando um morador de uma chácara da Rua São Luiz Gonzaga".
Falando da sede do Museu, Bittencourt disse que "aqui nós colocamos
do nosso bolso, com sacrifício, toda a infra-estrutura". Já
o barracão que abriga o acervo do Museu, Sylvio Bittencourt contou que
"por intermédio de um grande amigo que trabalhava no metrô,
nós conseguimos esse barracãozinho de madeira, que foi onde tudo
começou". A construção do restante (uma
parte de alvenaria), segundo contou, foi com apoio do deputado
Michel Temer. Só que hoje este espaço já não comporta
todo esse acervo", desabafou na época.
"Venda
dos Caipiras" na
Luís Stamatis– O empresário, engenheiro e advogado Antonio
Walter Marcondes, em entrevista ao Brasil Raiz, em setembro
de 2003, quando o bairro chegava aos 133 anos, contou que estudava no Júlio
Pestana. "A escola ficava em frente a linha do trem, na Benjamin Pereira",
acrescentando que depois estudou no Tucuruvi, no Neolatino. Mas quando abriu
ginásio no Jaçanã, voltou a estudar no bairro, por volta
de 1956, no Prof. Eurico Figueiredo.
O bairro tem grandes empresas como Aliança, Sobel, Hipermercado Bergamini.
No passado, teve a Cinematrográfica Maristela, por onde
passaram estrelas do cinema e televisão, a exemplo de Anselmo Duarte.
E que é ponto de ligação com ampla região, como
o município de Guarulhos, onde está o Aeroporto Internacional
Franco Montoro, Jova Rural, Jardim Fontalis, Jardim Hebron, Vila Nova Galvão,
Tremembé, Jardim Joamar, Joana Darc. Na Jova Rural, está instalado
o CIC Norte, onde é possível solicitar documentos, a exemplo do
Poupatempo.
O Jaçanã conta hoje com o CEU Tremembé,
próximo do Sacolão. O bairro tem um forte comércio tanto
na Luís Stamatis como Avenida Guapira e Benjamin Pereira. Dentre as grandes
empresas que geram emprego, o Hipermercado Bergamini, Sinal (Fiat), Contil,
Aliança, Salotex, Assaí.
Nota: Em fase de edição e pesquisa. Aguarde mais informações.